Descrição: Padroeiro dos Bombeiros Portugueses
Autor: Jaime Martins Barata
País/Localidade: Montemor-o-Novo
Ano: 1950
Nota: Corria o ano de 1549. No dia 3 de Julho, pelas onze da manhã, declara-se um incêndio no Hospital Real de Granada. O hospital está cheio de doentes. Os tolhidos gritam, pedem por socorro. O fogo alastra, ajudado pelo vento quente do verão. A cidade acorre em peso tentando acudir ao sinistro; mas o povo estorva mais do que ajuda. Mestres carpinteiros e pedreiros correm a prestar a sua ajuda técnica. Ouvem-se vozes de comando mas o pânico aumenta ao mesmo tempo que o fogo. Espalha-se a confusão. As chamas saem pelas janelas e no combate alguns voluntários ficam feridos, com os olhos congestionados e o cabelo chamuscado.
O que mais comove são os pobres doentes a quem não conseguem valer. E o fogo aumenta e apodera-se de todo o casarão.
Então um homem abre caminho por entre a multidão de curiosos, em direcção à porta de acesso. É João de Deus.
Lembra-se lindamente do local pois permanecera ali algum tempo considerado louco. A escada, os corredores, as janelas. Mas agora, não importa o que lá sofreu, do duro tratamento, das orações rezadas pelos cantos, dos açoites que recebeu o seu pobre corpo agora gretado. Agora o que conta é a catástrofe. São os irmãos em perigo, são os doentes e os pobres, os seus compatriotas enfermos, os abandonados.
Passa pelo fumo. Entra e sai continuamente. Carrega doentes ao ombro como feixes de lenha. Uma vez, outra vez e outra ainda. Fala pouco, mas age com eficácia. Tão depressa está na porta como aparece na açoteia, ou aparece numa janela atirando móveis para a rua, ou abrindo brechas com um enxadão que encontrou. E assim, consumados os salvamentos, pisando as chamas sem temor, sai arquejante, fatigado mas prodigiosamente ileso da sua maior aventura.
Dos lábios temerosos da multidão, brota agora a palavra "milagre", que nunca mais acaba de ser pronunciada.
Este o facto que levou o povo espanhol a considerar o nosso São João de Deus, padroeiro dos seus bombeiros.
A partir de 1990 é proclamado também padroeiro dos bombeiros portugueses, conjuntamente com São Marçal.

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